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Apresentação

Quando  o  escritor  francês  Marcel  Proust  terminou  de  escrever  os  sete  volumes  de  sua  obra  “Em  busca  do  tempo  perdido”,  a  Primeira  Guerra  Mundial  recém  acabara,  deixando  600  mil  mortos.  O  horror  da  guerra  é  o  pano  de  fundo  para  as  reflexões  do  personagem  principal,  que  mergulha  em  suas  memórias  para  enfrentar  suas  questões  pessoais.  A  infância  é  evocada  a  partir  de  sensações  e  estímulos  como  sons,  imagens,  aromas  e  sabores,  trazendo  lembranças  que  não  podem  ser  acessadas  voluntariamente.

Sempre  atento  aos  estímulos  do  momento,  o  curta-metragem  também  tem  a  capacidade  de  evocar  memórias,  assim  como  de  apontar  tendências.  E  foi  com  esse  pensamento  que  construímos  a  programação  do  Festival  este  ano:  buscando  referências  do  passado  e  apontando  tendências  que  nos  ajudassem  a  entender  melhor  o  presente,  o  que  sempre  está  refletido  nas  produções  inscritas.  Estamos  todos  “em  busca  do  tempo  de  agora”.

No  grande  panorama  do  nosso  imaginário  impresso  nos  filmes  deste  ano,  o  presente  se  revela  principalmente  na  micropolítica  cotidiana  dos  grupos  que  afirmam  a  alteridade,  mas  também  desponta  no  resgate  do  passado,  que  deixa  à  mostra  a  onda  de  retrocesso  que  insiste  em  ressurgir.  Assim  como  a  memória,  que  nos  prega  peças  o  tempo  todo,  a  realidade  também  está  longe  de  ser  linear.  Mas  as  conquistas  existem  e  é  preciso  também  reconhecê-las.

O  que  nossos  curta-metragistas  apontam  como  tendência  –  de  jovens  estudantes  a  profissionais  consagrados  que  valorizam  o  formato  por  sua  liberdade  e  concisão  –  é  a  conquista  da  multiplicidade  de  olhares.  A  diversidade  e  a  representatividade,  para  citar  duas  palavras  caras  ao  momento,  estão  presentes  em  toda  a  programação,  na  frente  e  atrás  das  câmeras.

Agradecemos  mais  uma  vez  os  correalizadores,  patrocinadores  e  parceiros  que  nos  ajudaram  a  viabilizar  esta  29ª  edição  e  a  todos  os  produtores  e  realizadores  –  dos  quase  3,5  mil  filmes  inscritos  –  que  confiaram  a  nós  seus  trabalhos. Pela  primeira  vez,  enfrentamos  o  desafio  de  integrar  recursos  do  Fundo  Setorial  do  Audiovisual  para  garantir  o  projeto  Curta  &  Mercado  e  a  ampliação  das  atividades  formativas  no  Festival.

Convidamos  a  todos  para  juntarem-se  a  nós  em  mais  uma  maratona  pelo  mundo  do  curta-metragem.  São  também  dias  de  celebrar  encontros,  debater,  trocar  ideias  e  aproveitar  os  curtas  projetados  nas  melhores  salas  de  cinema  de  nossa  cidade.  

Bom  Festival  a  todos! 


Zita  Carvalhosa
Diretora  do  Festival  Internacional  de  Curtas-metragens  de  São  Paulo

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